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Dinheiro da Redação

Mais sorrisos, por favor

Nº edição: 616 | 29.JUL.09 - 10:00 | Atualizado em 28.Jan.10 - 20:30

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é um homem de gestos econômicos.

por Luiz Fernando Sá

Não é dado a pirotecnias verbais e, ao agir, prefere a parcimônia. Nos últimos tempos, tem-se permitido sorrir mais. Não esconde o indisfarçável orgulho por ser apontado como um dos responsáveis pela maneira estável (e, portanto, inédita) com que o País enfrentou uma grave crise global.

Neste ano, quando boa parte do mundo derretia, ele transformou-se no porta-voz de boas notícias. Anunciou quatro quedas consecutivas dos juros, perfazendo uma redução total de 5 pontos percentuais na taxa básica. A mais recente ocorreu na quarta-feira 22, levando a Selic para 8,75%, patamar mais baixo da história.

O problema está no que vem por aí. Antes mesmo de o Copom anunciar sua decisão, arautos do mercado financeiro se apressavam em decretar que este corte seria o último do ano, encerrando o pacote de bondades do BC. Lideravam uma torcida canhestra, sonhando com o empate, não com a vitória. Pediam um time na retranca, já com saudades do tempo dos ganhos fáceis dos rentistas. Juros baixos, sabem, exigem mais esforço, mais eficiência, mais competência, mais competição.

Para que tudo isso, se o ganho vinha fácil apostando apenas nas taxas altas pagas pelo governo? A resposta que não quer calar é: porque assim deve ser o Brasil que precisamos. Um país de juros baixos estimula o investimento em produção, na competitividade, na eliminação dos desperdícios, na criação de uma cultura vencedora e empreendedora, coisa que o rentismo cômodo nos fez esquecer. Os números mais recentes da economia brasileira provam isso. A reboque do crédito mais barato vêm o emprego, o planejamento, o crescimento.

E, como tem sido demonstrado, não vem mais a inflação. Diferentemente de outras crises, em que as taxas de juros eram elevadas para evitar fugas de capitais estrangeiros, desta vez o BC baixou-as e os investimentos externos continuaram fluindo para cá. De olho em um mercado mais dinâmico, os dólares são atraídos para a economia real. É ela que Meirelles e o Copom devem sentir e ouvir. É por ela que devem manter a trajetória dos juros em queda. E continuar a sorrir.



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