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O impacto econômico da Copa

Nº edição: 520 | 12.SET.07 - 10:00 | Atualizado em 16.Dec.10 - 21:18

Uma das decisões mais importantes sobre a economia brasileira não está sendo tomada nos gabinetes do governo federal em Brasília, nem nos escritórios das grandes empresas nacionais.

por Amauri Segalla

Uma das decisões mais importantes sobre a economia brasileira não está sendo tomada nos gabinetes do governo federal em Brasília, nem nos escritórios das grandes empresas nacionais. Bem longe daqui, em Zurique, na Suíça, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, irá anunciar, no dia 30 de outubro, a sede da Copa do Mundo de 2014. Ao que tudo indica, o Brasil será escolhido, mas ainda não há uma certeza. A torcida é grande e se espalha do Palácio do Planalto para mais de 18 cidades que se candidataram a ser uma das sedes do maior campeonato de futebol do mundo e que receberam inspetores da Fifa nas últimas semanas. Tanta agitação tem fundamento. O impacto econômico de uma Copa desse porte é incomparável e superior ao de qualquer outro evento internacional. O mundial da Alemanha de 2006, o mais lucrativo das histórias das Copas, rendeu uma arrecadação de mais de US$ 2,5 bilhões só com patrocínios, merchandising e ingressos. No Brasil, apenas com os profissionais de mídia, haveria um ingresso líquido de US$ 1 bilhão nos 30 dias de evento, graças à presença de 500 estações de TV, 4,5 mil jornalistas e 14 mil técnicos e fotógrafos. Com a vinda dos torcedores, é possível calcular uma receita de mais US$ 15 bilhões, numa projeção conservadora. Apesar de tudo isso, no entanto, a turma do contra já começa a afiar as garras. Alegam, os que sofrem do complexo de vira-latas diagnosticado por Nelson Rodrigues, que o Brasil não teria condições da arcar com um evento de tal magnitude. Que o impacto nos cofres públicos seria altíssimo. Que os problemas na segurança manchariam a imagem do Brasil. Que haveria outras prioridades. É um blá blá blá sem fim.

Aos do contra, a pergunta: esperar o quê? Uma infra-estrutura perfeita? E qual seria melhor argumento do que a perspectiva de uma Copa do Mundo para agilizar as verbas previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento, que existem e não saem do papel? Um exemplo concreto de como a Copa poderia funcionar como catalisador de grandes investimentos vem de Brasília. Lá, o governador José Roberto Arruda quer iniciar a licitação de uma ligação rápida entre o Aeroporto Juscelino Kubitschek e a região do estádio Mané Garrincha para credenciar a Capital Federal a receber os jogos. Esses investimentos seriam feitos de qualquer maneira, mas, com a Copa, virão mais rápido. É um bom argumento, mas os derrotistas também apontam os riscos de superfaturamento na construção e reforma de estádios. Mas o ponto é que não se trata de dinheiro público. Estudos da consultoria KPMG apontam que praticamente todas as arenas seriam construídas com recursos privados. Além disso, uma das alternativas é utilizar Parcerias Público- Privadas, que também custam a sair do papel no Brasil. Para ilustrar, basta o exemplo do Morumbi. O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, se comprometeu a arcar com 100% das despesas das obras do estádio, sem o auxílio de verbas públicas. No Rio Grande do Sul, a turma do Internacional pretende não apenas reformar o Beira-Rio com dinheiro privado, como também erguer um shopping e um hotel ao lado.

Diferentemente de uma Olimpíada, que demanda recursos públicos porque inclui modalidades de baixo retorno comercial, o futebol envolve paixão. E esse é um fenômeno global, que atinge até os países onde o futebol está longe de ser o esporte número um. O melhor exemplo é o dos Estados Unidos, onde um clube desconhecido, o Galaxy, acaba de fazer a maior contratação da história, ao arrematar o passe do inglês David Beckham por US$ 250 milhões. O que está por trás disso é a possibilidade de retorno publicitário gerada pelos astros do gramado. Fosse de outra maneira, o Banco Santander Banespa não teria investido US$ 110 milhões para unir Kaká, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Robinho em uma única peça publicitária para passar a mensagem de “melhor banco do mundo”. Numa Copa, se forem somados os espectadores de todos os jogos, chega-se a um número inacreditável: 36 bilhões, em 240 países. A cena do lateral Cafu levantando a taça do pentacampeonato em 2002 foi vista por quase 90% da população global. A Copa no Brasil, em 2014, poderá ser o grande momento de afirmação nacional, desde que o País supere a auto-imagem derrotista. Numa das reuniões com inspetores da Fifa, o governador de São Paulo, José Serra, perguntou ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, se a Copa “já seria nossa”. A resposta foi direta: “Só podemos perder para nós mesmos”. É isso aí!



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