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Dinheiro da Redação
O ajuste de Dilma
Nº edição: 673 | 27.AGO.10 - 21:00 | Atualizado em 27.Aug.10 - 21:26
Disciplina fiscal não deve ser confundida com freio na economia. Ao contrário, ela cria a base por onde segue o desenvolvimento.
por Carlos José Marques
Com o vazamento da informação de que a candidata Dilma Rousseff estuda ao lado de Lula e aliados algumas medidas de contenção de despesas, muitos partiram a reclamar contra o arrocho.

O fato é que não há erro nenhum na ideia. É da lógica natural da democracia que em começo de governo o mandatário possua capital político de sobra para gastar. E em fim de governo, as amarras afrouxem. A situação atual não é diferente. As contas públicas, nesta reta final da gestão Lula, ganharam gordura por todos os lados.
Nada que comprometa o fôlego de crescimento do País, mas naturalmente a distensão dos investimentos e custos acendeu o sinal amarelo. Ao manter uma rigorosa vigilância sobre as metas de superávit primário, autoridades estão reforçando o maior pilar de sustentação da estabilidade – conquista dos brasileiros que ninguém quer perder.
Na proposta de rearrumação financeira de Dilma incluem-se a redução da meta inflacionária, de 4,5% ao ano para 4%, o corte de despesas ministeriais e forte encolhimento dos salários do funcionalismo público. Nenhum administrador minimamente preocupado com resultados faria diferente em sua empresa. As medidas são necessárias.
Vêm em boa hora e, seja qual for o sucessor escolhido para ocupar o lugar de Lula, terão de ser realizadas. Tudo mais é prosopopeia política. A oposição, para ganhar alguns pontos com a torcida na base do apelo populista, fez terrorismo da proposta.
E jurou de pés juntos que não seguirá por esse caminho. Ou mente ou está vendendo irresponsabilidade administrativa. Não há alternativa. A missão de não embarcar em aventuras contábeis deveria estar incluída na cartilha de qualquer bom governante.
A saúde econômica do País passa necessariamente por uma revisão fiscal e monetária, como a tão esperada reforma tributária. Por falta de coragem política, de disposição das lideranças partidárias e pela demora na articulação para aprová-la é que ela vem se arrastando até hoje. Talvez tenha chegado finalmente a hora de adotá-la. Trabalhadores e empreendedores – como já demonstraram antes – certamente apoiam essa saída.
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