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Dinheiro da Redação

Reajuste eleitoreiro

Nº edição: 663 | 18.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 28.Jul.11 - 08:32

Tentar pensar com a cabeça de governantes - e mesmo com a de adversários políticos - em ano eleitoral não é difícil.

por Carlos José Marques

Tentar pensar com a cabeça de governantes – e mesmo com a de adversários políticos – em ano eleitoral não é difícil: seria um risco demasiadamente alto vetar o reajuste de 7,72% dos aposentados, um universo que já beira os 28 milhões de beneficiários, dos quais 8,3 milhões serão diretamente impactados pela medida.
 

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Toda família que se preze, entre os milhões de brasileiros, tem ao menos um aposentado para zelar. E, como se sabe, em ano de campanha gestos simpáticos na direção deste público contam muito. Na verdade, é tudo que importa. O custo econômico da gastança é um detalhe. Calcula-se em R$ 1,6 bilhão a despesa extra com a concessão dessa extravagância.  E o eleitor que se preocupe lá na frente como vai pagar, porque afinal, na ponta da equação, sairá do bolso dele. Nessa toada de medidas demagógicas, e nada construtivas, o País repete o velho cacoete de república das bananas.

Vai espetando conta, de bilhão em bilhão, sem ter de onde tirar, e depois inventa mais impostos como a panaceia geral para seus hábitos caros. A CPMF, por exemplo, conhecida como o famigerado imposto do cheque, é uma ideia que vai e volta na cabeça das autoridades – para quem, sem esse tributo, que de provisório foi se esticando, “não dá para viver”. Não interessa nada que a carga tributária nacional esteja entre as mais altas do mundo, com retorno de infraestrutura zero.

Nem mesmo que a alternativa provoque mais e mais sonegação. O plano de morder sistematicamente o contribuinte apresenta-se como a mais simplória das opções. A Receita, com a arrecadação recorde a cada ano, não cessa a sua caçada e bote porque o Estado gasta muito e gasta mal. O Estado gasta para se locupletar, para manter o status quo, para angariar apoios ocasionais, para fechar acordos espúrios. Sempre, invariavelmente, na base de conluios que visam em primeiro lugar ao seu interesse. E, de novo, em ano eleitoral, nem a oposição tem coragem de dizer não a uma medida populista como esta. Que todos paguem o pato em proveito de alguns. E em prejuízo da maioria.

 



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    em 28/07/2011 08:32:08

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