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Dinheiro da Redação
Governo passa a tesoura
Nº edição: 661 | 03.JUN.10 - 21:00 | Atualizado em 05.Jun.10 - 21:07
Como sinal de disciplina nos gastos, o governo decidiu apresentar, na semana passada, um novo corte orçamentário para ministérios e órgãos da União.
por Carlos José Marques
O problema é que o grande afetado por esse arrocho nas contas é o setor da educação. Mais R$ 1,28 bilhão foram retirados da pasta e, com isso, o Ministério da Educação soma uma perda de quase R$ 2,4 bilhões em relação ao que o Congresso aprovou como plano de investimentos na área para 2010. Passar a tesoura justamente nesse campo é uma medida temerária porque sinaliza futuros e graves problemas no desenvolvimento de um trabalho já bastante prejudicado pela ausência de recursos.
O Brasil vive a era da escassez de mão de obra e da falta de profissionais capacitados para ocupar vagas que estão surgindo a todo instante. Nesse quadro, o enxugamento dos gastos com educação – onde o País acumula histórico déficit não superado – é um equívoco. Na proposta de cortes, o valor total de diminuição de despesas chega a R$ 7,4 bilhões.

Como modelo de conduta é uma medida correta na direção de defender a estabilidade econômica. Mas os critérios para a escolha dos mais sacrificados não foram adequados. Ministérios como o da Defesa, por exemplo, receberam até recomposição de verbas. Em diversos aspectos, a proporção do gasto público segue uma trajetória de crescimento.
Em abril esse gasto atingiu o maior índice do PIB ao longo do governo Lula. Bateu em 18,6% do PIB o tamanho de desembolsos, incluindo despesas para uma maior transferência de renda via Bolsa Família, reajuste do salário mínimo acima da inflação e custos com pessoal e encargos. Em paralelo, como atenuante, também ocorreu um considerável aumento na arrecadação de impostos, e essa receita adicional serviu de mote para que o governo incrementasse programas de apelo nacional como o PAC.
Hoje, a equipe econômica se vê às voltas com mais um grande peso na conta: os 7,7% de aumento para os aposentados. O tamanho do rombo da Previdência só cresce. Encontrar a fórmula ideal de gastos, que privilegie questões vitais como a educação e reavalie a prioridade de setores estratégicos como a defesa, é uma arte que vai depender principalmente do desejo do presidente Lula de resistir a pressões de setores mais articulados, como a indústria de armamentos. No corte, não dá para passar a tesoura aleatoriamente.
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Francisco Lira
em 05/06/2010 21:07:15
Cortar 1,28 bi da abandonada educação, de um povo, que até 02 de junho purgou 500 bilhões em impostos ! Só pode ser arte, de um presidente, que não teve sua mente ampliada pela beleza e magia do conhecimento acadêmico. Fica a lição: só valoriza e dá importância quem conhece e gosta. Pobre Lula !












