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Dinheiro da Redação

Faltam profissionais!

Nº edição: 660 | 28.MAI.10 - 21:00 | Atualizado em 28.May.10 - 22:04

É o efeito colateral do crescimento além da conta. O Brasil está prestes a enfrentar um "apagão de recursos humanos"

por Carlos José Marques

As taxas recorde de carteira assinada e de queda do desemprego já sinalizavam esse risco. O aumento considerável no número de vagas na indústria, no comércio e na área de serviço veio em um momento em que o País não estava preparado para tamanha demanda. Estão faltando desde engenheiros até operários, além de técnicos em diversas áreas, vendedores, profissionais do turismo, médicos, eletricistas.

A lista não possui fim. Várias empresas já aumentaram seus quadros de mão de obra importada de outros países por não encontrar aqui os profissionais que deseja. No governo, a previsão foi refeita e os assessores passaram a estimar que o presidente Lula deverá concluir o segundo mandato tendo entregue perto de 15 milhões de empregos – e não apenas dez milhões, como calculado inicialmente.

O próprio Lula apontou na semana passada que o Brasil se aproxima do pleno emprego, situação só alcançada anteriormente nos anos 70, durante o período militar do milagre econômico. “Eu penso que nós daremos um salto de qualidade extraordinário para ser um dos países do mundo com o menor índice de desemprego”, disse em seu programa semanal de rádio.
 

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Acrescentou que a diferença é que agora o trabalhador possui mais liberdade política. Os arroubos de Lula e a conquista de bons índices de desemprego não podem, porém, mascarar o problema do despreparo da mão de obra. Faltam profissionais qualificados e na origem está o gargalo da educação.

Ainda é de 15 milhões o número de analfabetos no Brasil e apenas 25% dos cidadãos dominam plenamente a escrita, a leitura e a matemática para se expressar e entender os negócios nos dias de hoje, segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional 2009 elaborado por um dos institutos do Ibope.

Esse despreparo e a falta de qualificação podem abrir um fosso perigoso entre o ritmo de desenvolvimento do País e a meta de crescimento sustentável por longo período. A participação da iniciativa privada com investimentos vultosos em treinamento e formação profissional torna-se vital nesse contexto e não há mais tempo a perder nesse sentido.    

 

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