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Fast-food tecnológico

Nº edição: 654 | 16.ABR.10 - 21:00 | Atualizado em 11.Apr.11 - 17:12

Você pode comprar o produto mais novo que existe. Mas não adianta: em pouco tempo ele ficará obsoleto

por Carlos Sambrana

Na semana passada, um amigo me contou sobre a nova televisão de LCD de 33 polegadas que havia acabado de comprar. Depois de anos usando o bom e velho aparelho de tubo, ele estava feliz por, finalmente, ter aderido ao produto que virou mania nacional. Mas sua felicidade não era completa. Junto com a bela tela que ele pregou na parede veio uma aflição. Diante daquele aparelho tinindo de tão novo, ele se perguntava se, de fato, tinha feito uma boa escolha. Eram tantas dúvidas... Havia demorado para comprar o modelo? Será que deveria ter esperado para adquirir uma versão mais moderna? Afinal, a tela que ele comprou já saiu da loja obsoleta. Já existem exemplares dotados de tecnologia 3D e, em breve, surgirão outros. Esse fenômeno, que pode ser chamado de fast-food tecnológico, tem deixado os consumidores cada vez mais aflitos e as empresas cada vez mais ricas. Os clientes sempre querem ter o que há de mais novo no setor e as companhias, agradecidas, criam essa demanda. Trata-se de um círculo vicioso em que um perde e o outro ganha – e não precisa nem dizer quem perde.
 

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Para entender como essa roda gira, basta examinar a estratégia da Apple com o iPhone. O primeiro modelo da família foi lançado, em junho de 2007, com toda a pompa que os equipamentos da marca de Steve Jobs carregam. Criou-se um burburinho de modo a fazer com que as pessoas se perguntassem como haviam vivido até aquele momento sem ter um iPhone. Pois bem, em apenas 11 semanas a empresa atingiu vendas de um milhão de exemplares. Mas a novidade durou pouco. Com uma programação milimétrica, um ano depois, a companhia invadia o mercado com um modelo superior: o 3G, que facilitava a navegação na internet por meio das redes de telefonia. Novamente, sucesso de vendas. O ápice dessa estratégia, contudo, veio em junho de 2009. Atente para a data! Um ano depois, mais uma vez, a empresa reforçou essa estratégia e lançou o iPhone 3GS. Isso mesmo, uma simples letra S, inicial da palavra inglesa speed (velocidade), mudou tudo na visão dos consumidores. Resultado: em apenas três dias, a Apple vendeu um milhão de unidades. 
 
Estudos mostram que os consumidores trocam de celular a cada 18 meses e as empresas tentam suprir essas necessidades de todas as formas. O movimento das empresas, porém, esconde alguns problemas. Ao mesmo tempo que criou um modo de manter os clientes reféns de suas novidades, a indústria, de uma maneira geral, também se viu em uma armadilha. Muita gente pensa duas vezes antes de comprar um produto com medo de perder o bonde. Por isso, é preciso dar garantias de que o bem de consumo não mudará de um ano para o outro. As montadoras, por exemplo, já estão lançando modelos 2011. A Ford já saiu com o EcoSport e o Ka, a Toyota já apresentou o Corolla, a Renault deu as caras com o Logan e assim por diante. Detalhe: estamos em abril de 2010. E aí criam-se novos problemas. Quem comprou carro em fevereiro de 2010, apenas três meses atrás, já tem um modelo defasado na garagem. O que fazer? Como diria a célebre ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, “relaxar e gozar”.

 
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  • acompanhantes sao paulo escortsp.com.br

    em 11/04/2011 17:12:34

    As mais belas acompanhantes de São Paulo esperam por vc aqui...com fotos e telefones gratis.... http://www.escortsp.com.br Site destinado somente ao publico adulto.

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    • tremoco

      em 04/05/2010 15:56:38

      Por acaso acho que este fenomeno vai permitir comprar aparelhos mais baratos. Vejamos o exemplo dos computadores, que ha 15 anos eram mais caros do que hoje, e deixavam muito a desejar ao pé do de hoje. Nos televisores é a mesma coisa, televisores mais baratos e cada vez mais sofisticados.

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      • Adamastor

        em 21/04/2010 10:12:57

        Desculpe mas não acho que esse é um jogo de ganha e perde, pra mim é um jogo de ganha-ganha onde o consumidor ganha com a compra de aparelhos cada vez mais econômicos, complexos e sofisticados e a empresa ganha com a venda deles.

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