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Obama e a vitória de Pirro no socorro ao Citi

Nº edição: 652 | 02.ABR.10 - 13:31 | Atualizado em 21.Jan.12 - 09:48

O governo Obama deve lucrar com o resgate do Citi, mas só poderá comemorar se arrancar as raízes podres do sistema financeiro

por Milton Gamez

Quanto vale socorrer um banco falido, em vez de deixá-lo quebrar? O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sabe. O resgate do gigante Citigroup, quem diria, vai dar um lucro estimado em US$ 8 bilhões ao governo (leia-se contribuinte) do democrata.

Essa é a previsão de ganho com a venda da participação oficial de 27% no Citi, adquirida na marra após a injeção de US$ 45 bilhões durante a crise do subprime, em 2008. Os recursos vieram do Tarp, o Proer americano, que custou a bagatela de US$ 700 bilhões. As ações serão vendidas até o final de 2010, anunciou o Tesouro na segunda-feira 29.
 

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Obviamente, os US$ 8 bilhões de lucro são apenas a ponta de um iceberg econômico que não tem preço. Simplesmente deixar uma instituição do porte do Citi falir – como aconteceu com o Lehman Brothers – teria custado alguns trilhões ao país. Interligado ao extremo, o sistema financeiro do século XXI apresenta um risco sistêmico que transcende as fronteiras bancárias. Na onda da quebra do Citi, viriam outros bancos ao redor do mundo, além de empresas de vários setores.

 Por essas e outras a AIG, maior seguradora do planeta, recebeu US$ 180 bilhões para continuar de pé, dinheiro suficiente para acabar com a pobreza em diversos países do Terceiro Mundo. A ironia é que, não fosse a mão pesada do Estado durante a crise, o capitalismo americano teria derretido mais do que se tivesse sofrido 50 terremotos iguais ao do Haiti. Mesmo assim, milhões de pessoas perderam suas casas e seus empregos. O PIB, que caiu 2,4% em 2009, deve crescer 3% este ano, encerrando a maior recessão desde os anos 30 do século passado.

A vitória de Obama em Wall Street, no entanto, não está garantida com o mero recebimento de cada centavo emprestado aos banqueiros, como prometeu. Nem com o lucro bilionário no Citi. Se não tiver sucesso em arrancar definitivamente as raízes podres do sistema financeiro, o presidente americano terá tido uma vitória de Pirro, impossível de ser repetida na próxima crise.

O mais difícil é combater o risco moral. Se os titãs do mercado sabem agora que serão socorridos pelo governo, já que são grandes demais para falir, por que os banqueiros deveriam se preocupar com a solidez de seus negócios? Se os executivos irresponsáveis mantêm o patrimônio adquirido com bônus milionários ano após ano, por que iriam controlar e eliminar os riscos de suas operações mirabolantes? Quebrar os conglomerados em unidades menores, como propõe o assessor da Casa Branca Paul Volcker, não é a resposta para todos os males, pois a tecnologia e a criatividade dos financistas não têm limites. A nova bolha é uma questão de tempo.

Ceifar os bônus dos funcionários, minando o sistema de incentivos meritocráticos que aumenta a competitividade do setor, também não vai resolver o problema. É certo que a reforma nas agências reguladoras e nos sistemas de monitoramento de riscos é necessária para tentar impedir crises futuras, mas isso não é garantia de nada. É preciso restabelecer a ética, a responsabilidade e a sustentabilidade do mercado financeiro – se é que um dia existiram. Obama terá de avançar em todas essas áreas para dormir tranquilo de novo.
 

 



  • embbhhizUzNDmMCH

    em 23/11/2011 18:22:35

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