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Copa: é hora de trabalhar
Nº edição: 651 | 26.MAR - 21:00 | Atualizado em 28.03 - 15:26
As obras no Estádio da Fonte Nova, que ruiu em 2007 e matou sete pessoas, estão atrasadas. A letargia contaminou as 12 sedes
por Amauri Segalla
A festa começou no dia 30 de outubro de 2007, quando a Fifa confirmou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. Vinte e sete meses depois, algo como 810 dias, o que aconteceu? A comemoração não tem data para acabar... Não há um dia sequer em que algum representante estrelado do governo Lula, um empresário de peso ou algum órgão de imprensa não apresente os impactos positivos na economia brasileira do evento esportivo mais importante do mundo. Mas e o trabalho? Você viu em sua cidade alguma obra ligada à competição que tenha saído do papel? Já reformaram o estádio que serve de palco para o seu time de coração e que receberá os craques do futuro? E aquele metrô, prometido para facilitar o deslocamento dos torcedores? E as reformas viárias? Você viajou de avião recentemente? Viu alguma movimentação de tratores ou pedreiros nos aeroportos? A quatro anos do Mundial, parece que o evento repousa no campo das ideias para as autoridades que devem fazer do Mundial de futebol uma realidade. É preciso abandonar o discurso. É hora de agir.

A letargia contaminou as 12 sedes escolhidas para receber as seleções. Na semana passada, apareceu a notícia de que as obras da Fonte Nova, aquele estádio em Salvador, na Bahia, que ruiu num jogo em 2007, um acidente que matou sete pessoas, estão atrasadas em quatro meses. Elas começariam em junho e agora foram adiadas para setembro. O Morumbi, em São Paulo, virou uma novela sem fim. Por que diabos a Fifa não aprova o projeto que, na alegação dos proprietários do estádio, é o mais avançado da Copa? Quem mente nesta história? O São Paulo, ao garantir a viabilidade de seu projeto, ou a Fifa, claramente refratária ao que o clube apresentou até agora? Há alguns dias, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, disse que está preocupado com o desenrolar das obras. Ele deveria é estar exigindo explicações dos governos, clubes e entidades que prometeram fazer maravilhas com os estádios brasileiros, mas que permanecem em preocupante silêncio. A situação é tão grave que o ministro dos Esportes ventilou a possibilidade de redução do número de sedes. Elas cairiam de 12 para dez. Ou oito, a depender da lentidão brasileira.
As obras de infraestrutura estão igualmente estagnadas. Há quanto tempo você ouve falar na construção de um novo terminal em Cumbica? Qualquer um que desembarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos percebe que o lugar não comporta mais o movimento de passageiros, que aliás já está entre os mais intensos do mundo. Mas o problema é adiado para depois, e esse dia jamais chega. O trem-bala é outra ilusão. Vozes do governo já falam até que se a ligação ferroviária São Paulo-Campinas saísse do papel estaria bom demais. Pouca gente ainda acredita que o trecho São Paulo-Rio ficará pronto para 2014. O Brasil vive seu momento econômico mais pujante. Por isso mesmo, desculpas não podem mais ser aceitas. Não adianta convencer o mundo, com um discurso otimista e imagens grandiloquentes da beleza brasileira, a respeito de nossa competência. É preciso arregaçar as mangas. O problema é que até agora ninguém fez isso.
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Alex Amarante
em 28/03/2010 15:26:03
É um problema crônico e histórico. Ano após Ano construímos um governo centralizador (falso "paizão"). Resultado: concetração de recursos do governo federal. Um exército de burocratas que nunca empreenderam/produziram/venderam nada figindo definir políticas pra quem empreende/produz/vende.
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Ivanilson Tolentino
em 27/03/2010 21:17:40
Nós sempre contamos com a ajuda divina e acreditamos que, no fim, as coisas sempre dão certo. è triste essa mania nacional de usar o improviso e o jeitinho para tudo. O mais preocupante é a possibilidade de perdermos a chance de mostrar para o mundo a nossa capacidade e mais que bunda e praia.





