Economia

“A reforma da Previdência irá do jeito que negociamos”

Na segunda-feira 7, o presidente da República, Michel Temer, concedeu entrevista à DINHEIRO, na sede da Editora Três, em São Paulo

“A reforma da Previdência irá do jeito que negociamos”

Passada a batalha na votação da denúncia da Procuradoria Geral da República, no Congresso, o senhor mantém o seu ímpeto reformista?
O meu ímpeto reformista continua o mesmo. Aliás, está maior ainda por uma necessidade política e econômica do Brasil.

O senhor teve 263 votos na Câmara, placar insuficiente para aprovar a reforma da Previdência. O senhor acredita que conseguirá os votos necessários?
Tivemos 263 votos e ainda 20 ausências. Os mais de 20 do PSDB que votaram contra são a favor das reformas. E muitos dos que votaram contra votarão a favor das reformas.

Como está a articulação política?
Ontem (domingo, 6 de agosto), fiz uma reunião com os ministros Meirelles e Moreira Franco; com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia; com o presidente do Senado, Eunicio Oliveira; e colocamos como prioridade a aprovação da reforma da Previdência para setembro. Ou faz a reforma, ou o Brasil para. Dentro de três semanas, me reunirei com 400 deputados para tratar disso.

De que forma ela será enviada ao Congresso?
A reforma da Previdência irá do jeito que negociamos. Não dá para aprovar como você quer sempre. Ficou razoável e vamos fazer o que é possível. Daqui uns oito anos, teremos de fazer uma nova atualização.

E a reforma tributária, também será feita?
Não tenho falado em reforma, mas, sim, em uma simplificação tributária. Pedi estudos para reduzir os tributos, acabar com a quantidade excessiva de impostos e dividir melhor os impostos com as unidades da federação.

E o crescimento econômico, presidente? Quando virá?
O Brasil já está crescendo, ainda lentamente, mas está retomando. O País começou a gerar mais empregos e, a partir de setembro, acredito que vamos entrar em um novo ritmo de crescimento. Mas, se você olhar para trás, pegamos o governo com uma inflação de 10,7%. Começamos combatendo a recessão. Até o fim do ano, a taxa básica de juros vai estar entre 7% e 7,5%.

Mas os juros reais não acompanham essa queda…
Há uma dissonância entre a taxa Selic e os juros reais. Sabemos disso e estamos discutindo isso.

Qual é o papel do BNDES no crescimento do País?
O BNDES ficou muito ligado aos campeões nacionais. Vamos estimular o crédito para pequenos e médios empresários. Minha gestão será marcada pela democratização do crédito. Faremos também acordos com cidades e Estados para in-vestir em áreas sociais como saneamento.

A Petrobras voltará a investir em grandes projetos como antes?
Primeiro, a Petrobras precisa de um saneamento interno e o Parente (Pedro Parente, presidente da estatal) está fazendo isso. Isso não acontece de uma hora para a outra. Fizemos uma modificação importante também que foi aprovar a lei que acaba com a obrigatoriedade da Petrobras investir no mínimo 30% em todos os projetos do pré-sal. Isso mostra responsabilidade econômica.

O Brasil, hoje, conta com mais de 14 milhões de desempregados. Há algum plano para acelerar a geração de empregos?
Pegamos o País na recessão mais aguda de sua história. Primeiro, tivemos que combater isso. Para combater o desemprego, precisávamos combater a recessão. Faz três meses que o emprego voltou a crescer e voltará paulatinamente. A reforma trabalhista, que não foi fácil de ser aprovada, incentivará a geração de empregos. Ela trará mais flexibilidade para contratações e todos os direitos estão assegurados pela Constituição. Que-bramos dogmas ideológicos e políticos.

Por exemplo?
A PEC do Teto dos Gastos era chamada de a PEC da Morte, que iria acabar com o dinheiro da educação, da saúde. O que aconteceu? Aumentamos os orçamentos da educação e da saúde em R$ 10 bilhões cada.

Falando em economia, quais são os seus principais acertos e os principais erros?
Os maiores acertos foram a aprovação da PEC do teto dos gastos, a reforma trabalhista e a liberação das contas inativas do FGTS, que injetou mais de R$ 40 bilhões na economia.

E os erros?
Não teria feito nada diferente. Trabalho 18 horas por dia, estabeleci uma relação muito próxima com o Congresso Nacional. Equilibramos o poder entre presidencialismo e parlamentarismo. Se alguém quiser popularidade, com objetivos eleitorais, não faz o que estou fazendo. Não estou preocupado com o agora, mas com o que vão ver no futuro.

Como o senhor quer ser lembrado no campo econômico?
Lá na frente, vão lembrar de mim como o presidente reformista, aquele que colocou o Brasil de volta nos trilhos. O próximo presidente vai pegar uma locomotiva econômica.

O que o sr. fará depois de 2018?
Quero ler, escrever e assistir a séries na Netflix.

Quais séries? House of Cards?
Tenho gostado da série Designated Survivor.

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